terça-feira, 6 de setembro de 2011

Censura não, regulamento sim!


A imprensa é uma instituição social importante para o funcionamento do “organismo” democrático. O trabalho da mídia é essencial para aproximar os cidadãos do seu contexto político, econômico e social, apresentando sua própria realidade, principalmente quando esta se torna intangível por outros meios. A informação, produto do trabalho dos profissionais da comunicação, é capaz de provocar as transformações sociais necessárias, mas também pode abrir longos abismos entre núcleos da sociedade.

O jornalismo foi concebido com uma função social. Quando optamos por frequentar a escola de comunicação e estudar jornalismo, estamos escolhendo trabalhar como funcionários da sociedade, levantando a bandeira da responsabilidade social e abrindo mão do temperamento e das superficialidades mercadológicas. O trabalho do jornalista vai além do sucesso financeiro ou dos compromissos com linhas e “comportamentos” editoriais. Este serviço só é efetivo com a liberdade de imprensa oferecida/imposta pela democracia.

Entretanto, a “imprensa livre” nacional é extremamente anárquica. E quando levanto esta crítica, refiro-me à falta de princípios, critérios e responsabilidades. Condeno a falta organização e conduta, que deveriam ser perseguidas para garantir que a sociedade seja sempre privilegiada, e não hostilizada, ofendida ou denegrida em prol do enaltecimento de grupos políticos, corporações e “famílias da comunicação”.
A regulamentação da imprensa é importante para garantir à sociedade o direito à informação de qualidade. É necessária para que a mídia trabalhe de forma ética e moral. 

Todavia, essa discussão (sobre a regulamentação da imprensa) tem que partir da sociedade, afinal, nós, leitores de jornal, é quem temos que decidir como queremos que a nossa imprensa trabalhe. Nenhum grupo político pode assumir a responsabilidade de regulamentar a imprensa sem dar ouvidos ao que pensa a sociedade civil.

Estabelecer o marco regulatório é responsabilidade da nação brasileira. E este debate não pode ser tratado como secundário, porque o papel da imprensa na condução política e social do país não é secundário. A mídia trabalha com a recriação da realidade, o que, em um país complexo como o nosso, pode ser um problema, se a mídia não seguir nenhum padrão ético.

É importante cobrar normas e condutas da “instituição midiática”, porque os vínculos comerciais e políticos das redações, que mantém vivos os jornais, revistas, portais da internet, rádios e etc., redirecionam os objetivos sociais da imprensa e priorizam empresas e partidos políticos extremamente fisiológicos.

A palavra regulamentar não significa censurar, mas estabelecer regras. Exigir que uma instituição tão poderosa funcione a partir de regras pré-estabelecidas é proteger a sociedade de abusos diretos e indiretos. Regras são princípios e preceitos básicos para determinada ação. E muitas vezes as regras são necessárias
A imprensa livre é importantíssima para o regime democrático, mas a imprensa livre não pode desrespeitar os cidadãos. A imprensa livre precisa ter ética e trabalhar em prol do desenvolvimento social, sempre com transparência, verdade e responsabilidade.

É claro que este debate é bem mais longo e complexo, outras questões, que também justificam a regulamentação da mídia, não foram discutidas no texto.

Disponibilizei para vocês, no link abaixo, o código de ética dos jornalistas. Infelizmente, muito pouco do que está descrito no documento é posto em prática por profissionais e empresas.


-> Código de ética (PDF)

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